Intolerância
Do Latim INTOLERANTIA,
“impaciência, incapacidade de aguentar”, de IN-, negativo, mais TOLERANS,
“aquele que aguenta”, de TOLERARE, “aguentar”.
Talvez nos últimos dias tenhamos ouvido muito esse termo nos
jornais e noticiários. Os atentados na França chamam a atenção pelo fato de se
mascararem com ódio e fanatismo, aliado a pitadas de sarcasmo e desrespeito a
algo sagrado. Não estou aqui inocentando um ato vil e hediondo de forma alguma.
Mas qual era a necessidade de fazer charges ofensivas? O que se ganhava com
isso? Alguns dizem que era a liberdade de expressão que foi atingida. De certa
forma o foi, mas a que preço? Qual o real motivo de provocar, instigar e
principalmente ridicularizar? Não, não me sentiria bem ao ver algo que acredito
e respeito, ser desvalorizado por outra pessoa. Isso não me dá direito,
contudo, em tirar a vida de ninguém.
O que tem mais me assustado é que em todas as partes do
mundo a intolerância está. Seja na Líbia, em Gaza, em Ruanda, na China, na
Coréia... Talvez não seja nem preciso ir muito longe para encontrarmos essa
forte impaciência reinando. Pessoas que
estacionam em lugares destinados a cadeirantes, por exemplo. Já foram
registradas brigas, ofensas e mortes por isso. Em ônibus já cedi meu lugar para
pessoas com mais idade que eu muitas vezes ou mulheres idosas, mas já vi muita
gente que não o fez. Isso se chama respeito, a meu ver.
Incluiria também a discriminação racial, enraizada em princípios
e filosofias fãs, algumas delas baseadas na tal da raça pura. Ninguém é incapaz
de ser feliz na vida devido à cor de pele ser diferente. Pelo menos não
deveria. A História está cheia de ocasiões que a lei do forte prevaleceu e que
por meio da escravidão muita gente sofreu e até hoje sofre. Existe preconceito sim,
nos dias atuais. Eu mesmo já sofri. Mas as pessoas que o fizeram eram tão mesquinhas
e egoístas que nem me dei ao trabalho de me magoar. Se quisermos lembrar um momento de intolerância em nosso país, lembremos da eleição para presidente no ano passado. Os nervos estavam a flor da pele e qualquer menção a seu candidato rendia um debate acalorado, resultando até em amizades desfeitas

Há algum tempo atrás li um artigo falando sobre um pastor
chamado Fred Phelps, líder da igreja Batista de Westboro. Sinceramente, senti
uma grande repulsa ao saber desse senhor.
Ao invés da sua denominação procurar ensinar os princípios básicos do
amor cristão e ajudarem o próximo a se tornarem melhores, começaram a falar
despautérios, entre eles, que os judeus foram de fato responsáveis pelo
Holocausto, que Maomé foi um emissário do demônio, que o atual presidente
americano é a personificação do Anti Cristo. Não contentes com isso, os membros
freqüentavam velórios de gays, com cartazes com frases abusivas, onde havia
frases como essa: “Agradecemos a Deus pela Aids”. Como se fossem apenas os gays
que fossem infectados pela doença. Aliás, pelas palavras de Phelps, qualquer um
que tivesse o vírus da AIDS, merecia morrer. Uma senhora estupidez. Ainda há de se dizer que toda a igreja se
julgava digna e capaz de irem aos céus, sim, todos que pertencessem a sua
denominação. Todo mundo iria para o inferno. Menos eles, claro. O fim disso?
Phelps teve uma morte melancólica, triste e solitária, agonizando em seu leito
de morte. Talvez esse senhor fosse apenas mais um lunático com uma bíblia na
mão, tentando com seu conhecimento trazer “limpeza” a seu grosso modo. Algo
medonho e totalmente lamentável. De qualquer forma, não cabe a mim julgá-lo.

Nós, seres humanos, recebemos inteligência o suficiente para
escolher o bem e crescermos. Acredito que pessoas inteligentes deveriam ter uma
melhor ideia de como lidar uns com os outros. Ouvir uns aos outros. Entender as
diferenças. Entender que respeito é a chave para uma boa convivência, aceitando
que somos o que somos. Talvez essa minha fórmula soe tão velha quanto
Matusalém. Não estou aqui falando qualquer coisa nova.
Mas quem sabe, de uma maneira muito particular e pessoal,
você, leitor, não possa mudar um pouco essa intolerância reinante no mundo? Talvez
com seu comportamento não seja possível mudar a mente de tantas pessoas
impacientes e intolerantes do mundo, mas creio que você, no caso nós, possamos
realmente viver de uma maneira a fazer mais pelo próximo, acreditar mais que
através de gentileza e serviço, muita coisa pode mudar.
Cristo, no Sermão da Montanha, elevou a voz e ensinou a lei
maior. Vejo como um guia para a minha vida Suas palavras:
Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho
também vós, porque esta é a lei e os profetas. (Mateus 7:12)
Aqui está a conhecida lei de ouro. Basicamente,
podemos nos perguntar: como eu tenho tratado quem está perto de mim? Tenho
feito o bem? Tenho mostrado carinho e paciência? Como tenho demonstrado meu
amor? As pessoas sabem que realmente me importo com elas?