domingo, 26 de julho de 2015


Belo perdedor

Ele ainda sonha como um jovem
Mas parece que aos poucos está envelhecendo
Embora agora esteja mais confiante e sábio
Aprendeu bastante com o passado
Viu a morte, e agora quer viver o máximo que puder.
Com o passar dos anos, acostumou se a perder
Deixou amores e oportunidades pelo caminho
E se deu conta que não é possível ter tudo o que se quer.

Seu coração se tornou frio
Tornou-se um tanto sozinho e solitário
Homem de dores, cansado e sem esperança
Passou a ser a segunda opção em diversos momentos
Ele é inteligente, sagaz e um pouco tímido
Talvez viva em seu próprio mundo, cheio de ilusões.
Mas é um amigo verdadeiro e leal, sempre disposto a ouvir e ajudar alguém.


Belo perdedor
Do que adianta ter tantos diplomas na parede?
Quem pode te encarar nos olhos e saber realmente quem é você?
Quantas vezes ainda você ainda irá cair? Quem te estenderá a mão?
Quem irá admirar suas cicatrizes?



Sua calma se transforma em palavras turvas
Sua voz ainda é suave
Ouve o que quer ouvir, e descarta todo o resto
Sua história é raramente contada, mas quem a leu mostrou interesse.
Deixou amigos e família e vive com estranhos
Andando de estação em estação, fugindo, deixando seus medos para trás
Mantendo-se escondido, busca sempre se refugiar em cantos baratos

Vive por um salário de trabalhador
Sol a sol, pele queimada
Sem descanso, mal dorme
E seus sonhos são tortos e confusos

Veste sua roupa de inverno
Parte para uma volta na avenida
O inverno o faz sofrer, dói, o castiga
Mas nada é pior do que o frio da solidão

Ao olhar sua face fria no espelho
Questiona-se se alguém irá notar sua cicatriz
Uma lembrança de cada luta que o abateu e o derrubou
Belo perdedor, quando irá se levantar?
Quando deixará a raiva e vergonha para trás?








domingo, 1 de fevereiro de 2015



Intolerância

Do Latim INTOLERANTIA, “impaciência, incapacidade de aguentar”, de IN-, negativo, mais TOLERANS, “aquele que aguenta”, de TOLERARE, “aguentar”.

Talvez nos últimos dias tenhamos ouvido muito esse termo nos jornais e noticiários. Os atentados na França chamam a atenção pelo fato de se mascararem com ódio e fanatismo, aliado a pitadas de sarcasmo e desrespeito a algo sagrado. Não estou aqui inocentando um ato vil e hediondo de forma alguma. Mas qual era a necessidade de fazer charges ofensivas? O que se ganhava com isso? Alguns dizem que era a liberdade de expressão que foi atingida. De certa forma o foi, mas a que preço? Qual o real motivo de provocar, instigar e principalmente ridicularizar? Não, não me sentiria bem ao ver algo que acredito e respeito, ser desvalorizado por outra pessoa. Isso não me dá direito, contudo, em tirar a vida de ninguém.
O que tem mais me assustado é que em todas as partes do mundo a intolerância está. Seja na Líbia, em Gaza, em Ruanda, na China, na Coréia... Talvez não seja nem preciso ir muito longe para encontrarmos essa forte impaciência reinando.  Pessoas que estacionam em lugares destinados a cadeirantes, por exemplo. Já foram registradas brigas, ofensas e mortes por isso. Em ônibus já cedi meu lugar para pessoas com mais idade que eu muitas vezes ou mulheres idosas, mas já vi muita gente que não o fez. Isso se chama respeito, a meu ver.

Incluiria também a discriminação racial, enraizada em princípios e filosofias fãs, algumas delas baseadas na tal da raça pura. Ninguém é incapaz de ser feliz na vida devido à cor de pele ser diferente. Pelo menos não deveria. A História está cheia de ocasiões que a lei do forte prevaleceu e que por meio da escravidão muita gente sofreu e até hoje sofre. Existe preconceito sim, nos dias atuais. Eu mesmo já sofri. Mas as pessoas que o fizeram eram tão mesquinhas e egoístas que nem me dei ao trabalho de me magoar. Se quisermos lembrar um momento de intolerância em nosso país, lembremos da eleição para presidente no ano passado. Os nervos estavam a flor da pele e qualquer menção a seu candidato rendia um debate acalorado, resultando até em amizades desfeitas 




Há algum tempo atrás li um artigo falando sobre um pastor chamado Fred Phelps, líder da igreja Batista de Westboro. Sinceramente, senti uma grande repulsa ao saber desse senhor.  Ao invés da sua denominação procurar ensinar os princípios básicos do amor cristão e ajudarem o próximo a se tornarem melhores, começaram a falar despautérios, entre eles, que os judeus foram de fato responsáveis pelo Holocausto, que Maomé foi um emissário do demônio, que o atual presidente americano é a personificação do Anti Cristo. Não contentes com isso, os membros freqüentavam velórios de gays, com cartazes com frases abusivas, onde havia frases como essa: “Agradecemos a Deus pela Aids”. Como se fossem apenas os gays que fossem infectados pela doença. Aliás, pelas palavras de Phelps, qualquer um que tivesse o vírus da AIDS, merecia morrer. Uma senhora estupidez.  Ainda há de se dizer que toda a igreja se julgava digna e capaz de irem aos céus, sim, todos que pertencessem a sua denominação. Todo mundo iria para o inferno. Menos eles, claro. O fim disso? Phelps teve uma morte melancólica, triste e solitária, agonizando em seu leito de morte. Talvez esse senhor fosse apenas mais um lunático com uma bíblia na mão, tentando com seu conhecimento  trazer “limpeza” a seu grosso modo. Algo medonho e totalmente lamentável. De qualquer forma, não cabe a mim julgá-lo.







Nós, seres humanos, recebemos inteligência o suficiente para escolher o bem e crescermos. Acredito que pessoas inteligentes deveriam ter uma melhor ideia de como lidar uns com os outros. Ouvir uns aos outros. Entender as diferenças. Entender que respeito é a chave para uma boa convivência, aceitando que somos o que somos. Talvez essa minha fórmula soe tão velha quanto Matusalém. Não estou aqui falando qualquer coisa nova.




Mas quem sabe, de uma maneira muito particular e pessoal, você, leitor, não possa mudar um pouco essa intolerância reinante no mundo? Talvez com seu comportamento não seja possível mudar a mente de tantas pessoas impacientes e intolerantes do mundo, mas creio que você, no caso nós, possamos realmente viver de uma maneira a fazer mais pelo próximo, acreditar mais que através de gentileza e serviço, muita coisa pode mudar.



Cristo, no Sermão da Montanha, elevou a voz e ensinou a lei maior. Vejo como um guia para a minha vida Suas palavras:

Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas. (Mateus 7:12)


Aqui está a conhecida lei de ouro. Basicamente, podemos nos perguntar: como eu tenho tratado quem está perto de mim? Tenho feito o bem? Tenho mostrado carinho e paciência? Como tenho demonstrado meu amor? As pessoas sabem que realmente me importo com elas?

domingo, 11 de janeiro de 2015



Virando a página do coração

Por um longo tempo eu permaneci parado, no mesmo lugar.

Aquelas emoções e sentimentos intensos que havia antigamente deixaram de existir.

Os velhos amores passaram e as feridas e mágoas também já não habitam mais no meu coração.
Decepcionado, ferido, magoado, desiludido, mas não abatido. Ainda não derrotado.  As decepções me deixaram mais confuso, triste, talvez solitário. Mas me abriram os olhos, me moldaram me fizeram mais forte. Hoje eu agradeço por cada uma delas. Fizeram me crescer. Talvez eu tenha me tornado um pouco mais seco ou seletivo. Diria que mais pé no chão. Ainda sou um príncipe, mas agora, já passei por diversas batalhas de vida e morte. Sei o preço que paguei.

O tempo me transformou em alguém mais forte e seguro, capaz de tomar minhas decisões e ser mais independente. Quero experimentar a sensação de ser livre, de assumir a responsabilidade de fazer um pouco mais por mim. Talvez possa parecer um pouco egoísmo meu, mas, hoje posso olhar para dentro de mim mesmo e ver que preciso muito mais do que um sorriso, um abraço, um beijo, ou algo passageiro. Tenho que valorizar cada instante, cada momento. Nada que consegui veio fácil. Não troco a eternidade por um prato de lentilhas.