domingo, 1 de fevereiro de 2015



Intolerância

Do Latim INTOLERANTIA, “impaciência, incapacidade de aguentar”, de IN-, negativo, mais TOLERANS, “aquele que aguenta”, de TOLERARE, “aguentar”.

Talvez nos últimos dias tenhamos ouvido muito esse termo nos jornais e noticiários. Os atentados na França chamam a atenção pelo fato de se mascararem com ódio e fanatismo, aliado a pitadas de sarcasmo e desrespeito a algo sagrado. Não estou aqui inocentando um ato vil e hediondo de forma alguma. Mas qual era a necessidade de fazer charges ofensivas? O que se ganhava com isso? Alguns dizem que era a liberdade de expressão que foi atingida. De certa forma o foi, mas a que preço? Qual o real motivo de provocar, instigar e principalmente ridicularizar? Não, não me sentiria bem ao ver algo que acredito e respeito, ser desvalorizado por outra pessoa. Isso não me dá direito, contudo, em tirar a vida de ninguém.
O que tem mais me assustado é que em todas as partes do mundo a intolerância está. Seja na Líbia, em Gaza, em Ruanda, na China, na Coréia... Talvez não seja nem preciso ir muito longe para encontrarmos essa forte impaciência reinando.  Pessoas que estacionam em lugares destinados a cadeirantes, por exemplo. Já foram registradas brigas, ofensas e mortes por isso. Em ônibus já cedi meu lugar para pessoas com mais idade que eu muitas vezes ou mulheres idosas, mas já vi muita gente que não o fez. Isso se chama respeito, a meu ver.

Incluiria também a discriminação racial, enraizada em princípios e filosofias fãs, algumas delas baseadas na tal da raça pura. Ninguém é incapaz de ser feliz na vida devido à cor de pele ser diferente. Pelo menos não deveria. A História está cheia de ocasiões que a lei do forte prevaleceu e que por meio da escravidão muita gente sofreu e até hoje sofre. Existe preconceito sim, nos dias atuais. Eu mesmo já sofri. Mas as pessoas que o fizeram eram tão mesquinhas e egoístas que nem me dei ao trabalho de me magoar. Se quisermos lembrar um momento de intolerância em nosso país, lembremos da eleição para presidente no ano passado. Os nervos estavam a flor da pele e qualquer menção a seu candidato rendia um debate acalorado, resultando até em amizades desfeitas 




Há algum tempo atrás li um artigo falando sobre um pastor chamado Fred Phelps, líder da igreja Batista de Westboro. Sinceramente, senti uma grande repulsa ao saber desse senhor.  Ao invés da sua denominação procurar ensinar os princípios básicos do amor cristão e ajudarem o próximo a se tornarem melhores, começaram a falar despautérios, entre eles, que os judeus foram de fato responsáveis pelo Holocausto, que Maomé foi um emissário do demônio, que o atual presidente americano é a personificação do Anti Cristo. Não contentes com isso, os membros freqüentavam velórios de gays, com cartazes com frases abusivas, onde havia frases como essa: “Agradecemos a Deus pela Aids”. Como se fossem apenas os gays que fossem infectados pela doença. Aliás, pelas palavras de Phelps, qualquer um que tivesse o vírus da AIDS, merecia morrer. Uma senhora estupidez.  Ainda há de se dizer que toda a igreja se julgava digna e capaz de irem aos céus, sim, todos que pertencessem a sua denominação. Todo mundo iria para o inferno. Menos eles, claro. O fim disso? Phelps teve uma morte melancólica, triste e solitária, agonizando em seu leito de morte. Talvez esse senhor fosse apenas mais um lunático com uma bíblia na mão, tentando com seu conhecimento  trazer “limpeza” a seu grosso modo. Algo medonho e totalmente lamentável. De qualquer forma, não cabe a mim julgá-lo.







Nós, seres humanos, recebemos inteligência o suficiente para escolher o bem e crescermos. Acredito que pessoas inteligentes deveriam ter uma melhor ideia de como lidar uns com os outros. Ouvir uns aos outros. Entender as diferenças. Entender que respeito é a chave para uma boa convivência, aceitando que somos o que somos. Talvez essa minha fórmula soe tão velha quanto Matusalém. Não estou aqui falando qualquer coisa nova.




Mas quem sabe, de uma maneira muito particular e pessoal, você, leitor, não possa mudar um pouco essa intolerância reinante no mundo? Talvez com seu comportamento não seja possível mudar a mente de tantas pessoas impacientes e intolerantes do mundo, mas creio que você, no caso nós, possamos realmente viver de uma maneira a fazer mais pelo próximo, acreditar mais que através de gentileza e serviço, muita coisa pode mudar.



Cristo, no Sermão da Montanha, elevou a voz e ensinou a lei maior. Vejo como um guia para a minha vida Suas palavras:

Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas. (Mateus 7:12)


Aqui está a conhecida lei de ouro. Basicamente, podemos nos perguntar: como eu tenho tratado quem está perto de mim? Tenho feito o bem? Tenho mostrado carinho e paciência? Como tenho demonstrado meu amor? As pessoas sabem que realmente me importo com elas?




Eu não sei o que o mundo vai nos trazer. Talvez ocorra mais atentados, mais tristeza, mais dor e lágrimas. Talvez a intolerância só irá aumentar. Mas acredite você pode no meio desse caos que é nosso mundo, fazer a diferença. Faça você mesmo essa diferença. Faça o bem. Esse é o antônimo da intolerância. Ser bom. Pode parecer difícil e não vantajoso, mas vale muito, muito à pena. Como diria Robert Powell:

“ Vale a pena ser bom, mas o melhor é fazer o bem.”


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